top of page

pesquisas concluídas
mestrado

Piranhas entre Montes, Pedra e Cal: O Turismo e a Conservação Integrada em Dicotomia no Sertão

mestrado
2021 - 2023
Defesa em: 31 ago. 2023


estudante
Letícia Naka Cartaxo Mishina
orientadora : Flaviana Barreto Lira

produções

dissertação

 

Esta pesquisa apresenta como tema os desafios à conservação patrimonial do sítio histórico e paisagístico de Piranhas de maneira a refletir acerca dos impactos que a atividade turística exerce sobre sua patrimonialização, a fim de subsidiar a revisão dos instrumentos de conservação vigentes. Localizada na bacia hidrográfica do Rio São Francisco no sertão alagoano, Piranhas possui topografia montanhosa, com solo pedregoso coberto pela vegetação típica da caatinga, de galhos secos e mandacarus. A ocupação espacial caracteriza-se pelo uso da topografia no posicionamento hierárquico dos imóveis e distribuída a partir da implantação da navegação a vapor e ferrovia durante o século XIX, abertura da rodovia AL-220 em 1950 e a implantação da Usina Hidrelétrica de Xingó ao fim do século XX. O alto custo para moradores manterem suas residências no perímetro histórico; o esvaziamento do uso residencial na poligonal tombada; o desmatamento e a diminuição da mancha verde ligados à ocupação irregular dos morros pela indústria hoteleira; o aumento de “falsos históricos” e a cenarização no sítio consistem em alguns dos impeditivos para a leitura dos seus atributos culturais. A pesquisa é estruturada em três partes: (i) a explanação sobre os aspectos morfológicos e configuracionais dos diferentes núcleos de ocupação em Piranhas e a identidade local de cada um deles; (ii) a discussão da problematização relacionada ao estabelecimento do cenário sertanejo, a padronização cultural e o estudo acerca da legislação vigente e do tombamento sob a ótica da conservação integrada, a listagem e discussão dos atributos; e, por fim, (iii) a análise qualitativa do estado de conservação seguido do delineamento de direcionamentos visando a conservação integrada. Assim, apresentam-se reflexões acerca dos impactos que o processo de dispersão sobre o território e as rápidas transformações advindas da atividade turística desempenham sobre esta paisagem, patrimônio natural e cultural. Portanto, questiona-se: como Piranhas pode preservar sua identidade sob a pressão dos recentes conflitos relacionados ao turismo cultural?

Os Sentidos do vazio: A Escala Bucólica nas Superquadras de Brasília

mestrado
2021 - 2023
Defesa em: 22 jun. 2023


estudante
Beatriz de Oliveira Alcântara Gomes
orientadora : Flaviana Barreto Lira

produções

dissertação

 

Ecoando a corrente discussão acerca dos desafios impostos à conservação do patrimônio moderno, este trabalho aborda a escala bucólica presente nas superquadras de Brasília. O objetivo foi, a partir de um olhar atual, sistematizar o processo de consolidação da escala bucólica identificando perspectivas para sua conservação. Para tal, foi feita inicialmente a discussão teórica que aborda tanto a construção histórica da noção de escala bucólica (associada à figura de Lucio Costa e a um objetivo patrimonial), quanto os vínculos existentes entre ela e os vazios intencionados modernos. Posteriormente, a partir da observação da sua manifestação nas superquadras do Conjunto Urbanístico de Brasília (CUB), foi analisado como se deu a evolução de suas caracterizações formal e simbólica no tempo, desde meados de 1960 até meados de 2020. As informações colhidas e sistematizadas a partir dos procedimentos anteriormente descritos serviram de apoio ao desenvolvimento da última parte desta pesquisa, que buscou analisar possíveis valores culturais atribuídos à escala bucólica presente na superquadra e identificar potencialidades e desafios à sua conservação.

Proinfância e o Projeto-Padrão: A Implantação de Creches em Ceilândia

mestrado
2020 - 2022
Defesa em: 30 jan. 2023


estudante
Carolina Moreira Barbosa de Brito
orientadora : Elane Ribeiro Peixoto

produções

dissertação

 

Esta dissertação aborda dois exemplos de projetos-padrão de creches construídas em Ceilândia e Sol Nascente / Pôr do Sol, regiões administrativas de Brasília, Brasil. Elas resultam da implementação no Distrito Federal do Programa Nacional de Estruturação e Aquisição de Equipamentos para a Rede Escolar Pública de Educação Infantil (Proinfância). Criado em 2007, este programa visa financiar e oferecer assistência técnica aos municípios, instâncias responsáveis pela educação das crianças brasileiras entre zero e seis anos de idade. O Proinfância disponibiliza projetos-padrão de creches para serem construídas em todo o país. A padronização de edifícios provoca uma pergunta por vezes incômoda a quem os projeta e constrói: como o projeto-padrão se relaciona com a cidade, o bairro e sua comunidade? O estudo dos exemplos mencionados objetiva colaborar para este debate. Metodologicamente, buscamos definir um entendimento para o termo “projeto-padrão” a partir de revisão bibliográfica; em seguida, procedemos aos estudos de caso analisados em duas abordagens: a de sua implantação espacial, considerando a relação com a região administrativa, o terreno e a vizinhança; e a de sua apropriação social, ambas fundamentadas em ferramentas de avaliação do ambiente construído, segundo a abordagem de Paulo Rheingantz e colaboradores.

Conjuntos Urbanos: Fundamentos, Procedimentos e Justificativas para o Tombamento e Rerratificação

mestrado
2020 - 2022
Defesa em 30 jan. 2023


estudante
Marina Nascimento Rebelo
orientador : Flaviana Barreto Lira

produções

dissertação

 

O Decreto-Lei nº 25/1937 é a legislação mais antiga em vigor no Brasil, é ele que regulamenta a política de proteção dos bens nacionais. Entre as principais limitações presentes no DL 25 está à inexistência de procedimentos claros para a aplicação do instrumento de tombamento de bens no Brasil, gerando uma insegurança jurídica no ato de proteção e preservação dos bens, que pode implicar que esses processos sejam rerratificados. A “Lista de Bens tombados e processos de tombamento em andamento” do IPHAN (2021) apresenta 89 conjuntos urbanos protegidos, dos quais 15 foram rerratificados e estão agrupados em nove processos que foram mapeados nesta pesquisa. Partindo da hipótese que não há procedimentos claros e explícitos para a instrução de um processo de tombamento no Brasil, foi investigado se empiricamente podem ser identificados procedimentos no grupo de processos selecionados. Tais processos foram avaliados a partir de nove critérios objetivos e classificados como bem ou mal instruídos e, a partir dos bem instruídos, extraídas contribuições para uma eventual legislação nacional específica para preservação de conjuntos urbanos.

Urbanidades Desviantes, Território Desviado: Mercado cor-de-rosa e gentrificação em um pedaço LGBTQIA+ no centro de Florianópolis

mestrado
2020 - 2022
Defesa em 3 nov. 2022


estudante
Cristina Besen Müller
orientador : Paulo Roberto Carvalho Tavares

produções

dissertação

 

Nos últimos vinte anos, são notáveis as reverberações das demandas coletivas do movimento LGBTQIA+ no município de Florianópolis, como a criação de conselhos e planos de políticas públicas voltadas a esta população. Estas iniciativas, quando efetivadas, são capitaneadas sob um marketing urbano governamental do LGBTQIAfriendly, focadas nas ideias de “Pink Money” e “Pink Market”, cujo efeito perverso é deslocar as pessoas que lutaram por essas pautas em primeiro lugar, que são os setores mais subalternizados dentro da comunidade LGBTQIA+. Utilizando de certas metodologias, principalmente cartográficas e historiográficas, busco traçar o arco da formação da espacialidade LGBTQIA+ em Florianópolis, desde a formação de uma comunidade organizada até a consolidação destas pautas identitárias em programas e políticas públicas. A partir desta visão cartográfico-historiográfica, busco tentar entender como a efetivação destas políticas ou são incompletas, ou quando efetivadas acabam por comercializar estes espaços identitários, exacerbando processos de gentrificação e desigualdade urbana através de recortes de gênero, raça e classe dentro da própria comunidade LGBTQIA+.

Vila Tecnológica do Distrito Federal: Questões de Habitação e História

mestrado
2019 - 2022
Defesa em 21 fev. 2022


estudante
Vanessa Cristine Silva Cardoso

orientação
Carlos Henrique Magalhães de Lima
co-orientadora: Elane Ribeiro Peixoto


financiamento
CAPES (bolsa)

produções

dissertação

 

A construção rápida de habitações sociais como tentativa de resolver o déficit habitacional brasileiro estimulou a procura de novos métodos, sistemas e materiais que tornassem a habitação racional e econômica. Foram testadas, então, novas tecnologias para baratear o custo e incentivar pesquisas na construção civil. Como reflexo disso, surgiram as Vilas Tecnológicas, conjuntos habitacionais populares que utilizaram tecnologias econômicas e alternativas. Esta dissertação busca contribuir com uma historiografia crítica do papel das Vilas Tecnológicas na política habitacional brasileira, focalizando particularmente em levantar/descrever/inventariar o processo de instituição da Vila Tecnológica do Distrito Federal. Ela visou à criação e financiamento de habitações destinadas aos servidores do Governo do Distrito Federal (GDF) e atendeu às necessidades de expansão do Plano Piloto de Brasília. Estruturalmente o trabalho se divide em três capítulos. O primeiro traz uma contextualização das ações governamentais em relação à habitação social no Brasil e no Distrito Federal no século XX. O segundo conta a origem das Vilas Tecnológicas e cita três exemplos no Brasil. O terceiro apresenta a caracterização da Vila Tecnológica do DF e sua situação atual. Os resultados alcançados mostram que a inovação foi tratada de forma secundária, sem uma preocupação com a qualidade, atendimento às necessidades locais, adequação às respostas habitacionais das famílias. Espera-se que essa exposição traga novos olhares para os projetos de habitações sociais industrializadas.

Mapeando Ceilândia:
um Estudo Histórico e Morfológico

mestrado
2019 - 2021
Defesa em 13 out. 2021


estudante
Alana Silva Waldvogel
orientadora : Elane Ribeiro Peixoto

 

publicações

 

Ceilândia foi criada em 1971 como resposta do governo ao número crescente de ocupações nas áreas centrais do Plano Piloto de Brasília. Durante o governo de Hélio Prates da Silveira, foi estabelecida a CEI — Campanha de Erradicação de Invasões — com o objetivo de criar uma nova cidade para acolher as populações oriundas dessas ocupações. A Ceilândia inicial, projeto de Ney Gabriel de Souza, era formada por 17 mil lotes em uma área de vinte quilômetros quadrados. Passaram-se cinquenta anos, e a cidade expandiu-se em novos setores. Além disso, sua dinâmica de crescimento conduziu a transformações significativas em sua malha urbana. É nessas alterações que reside o objetivo deste trabalho: à luz da morfologia urbana, analisar setores da cidade, implantados em diferentes períodos, buscando relacionar suas alterações de traçado urbano às tipologias habitacionais presentes em cada um deles. Para tal, realizou-se um estudo amostral a partir de recorte que abrangeu cinco dos onze setores atuais, dentro dos quais selecionou-se uma Unidade de Vizinhança representativa de cada uma das porções analisadas. Selecionou-se, então, uma rua dentro de cada UV, das quais foram catalogadas as residências a fim de registrar, por meio de desenhos e fotografia, suas características físicas, fachada e ocupação do lote. A análise partiu da situação atual das quadras e suas casas para, numa perspectiva histórica, reconhecer os padrões de suas alterações e compreender se houve rebatimento do desenho urbano dos setores novos e antigos nas tipologias habitacionais. O corpus da pesquisa envolveu documentos colhidos no Arquivo Público do Distrito Federal, mapas disponibilizados pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação, dados fornecidos pela Companhia Energética de Brasília, livros e dissertações acerca do tema, imagens de satélite das ferramentas Google Maps e Google Earth, que permitem a visualização da situação atual de ocupação dos lotes, e material produzido durante visitas à cidade, como fotografias e desenhos. Parte deste trabalho integrou a pesquisa Cotidianos Escolares e Dinâmicas Metropolitanas da Capital do Brasil, desenvolvida em parceria entre os departamentos de Antropologia e Arquitetura da Universidade de Brasília. A base dos trabalhos em Ceilândia foi o Centro de Ensino Fundamental 19 (CEF 19), onde foram desenvolvidas, com os alunos, atividades para melhor compreender as dinâmicas do local pela ótica de quem de fato o vivencia

Experiências Cotidianas e Processos Compartilhados : A Cidade e seu Potencial Educativo

mestrado
2019 - 2021

estudante
Julia Mazzutti Bastián Solé
orientadora : Elane Ribeiro Peixoto

 

Esta dissertação é um relato permeado por reflexões sobre uma experiência realizada no Centro de Ensino Fundamental de Ceilândia – CEF 19, com alunos de nono ano, no âmbito da disciplina de Artes. Essa experiência foi desenvolvida entre os anos de 2017 e 2019, no contexto da pesquisa Cotidianos escolares e dinâmicas metropolitanas da capital do Brasil, firmada entre pesquisadores das faculdades de Arquitetura e Urbanismo e de Antropologia da Universidade de Brasília. Nela, buscou-se responder que vínculos os jovens moradores de Ceilândia, a IX Região Administrativa de Brasília, estabeleciam com sua cidade no ir e vir de seus percursos cotidianos. Para tal, foi elaborado um plano de trabalho que intercalava os conteúdos obrigatórios da disciplina de Artes com a história da cidade e noções do que seria seu patrimônio. Durante dois anos consecutivos, realizaram-se oficinas quinzenais com os alunos dessa escola, que resultaram na confecção de maquetes, elaboração de desenhos, produção de diários e textos e visitas por Ceilândia e pelo Plano Piloto. Essas atividades estimularam o contato dos estudantes com a cidade e fabricaram um conjunto de documentos nos quais esses jovens deixaram registros das percepções do lugar onde vivem. O presente texto tece reflexões sobre esse material e sobre essa experiência a partir de perspectivas teóricas que envolvem aportes da História Urbana, da Antropologia e da Educação Artística. Apresenta-se a formação da pesquisa; seguida pelo relato do trabalho de campo, o qual está articulado em partes que chamadas “movimentos”, aludindo às dinâmicas de aproximação com a cidade e com os alunos. Por fim, um balanço sobre esses movimentos a partir da noção de experiência apontada pelo pedagogo e filósofo Jorge Larrosa Bondía, na qual pode-se compreender melhor como nos transformamos por meio de ações e associações que se desenrolam nas vivências com os jovens na cidade

Entre a Cidade de Concreto e a Cidade Narrada: O Imaginário de Brasília na Poesia de Nicolas Behr

mestrado
2016 - 2018
Defesa em: 8 jun. 2018


estudante
Anna Luísa Portela de Deus Albano
orientadora : Elane Ribeiro Peixoto

produções

dissertação

 

Este trabalho discute e analisa as representações de Brasília presentes nas poesias do cuiabano-brasiliense Nicolas Behr. O objetivo é apreender, nos poemas dedicados à Capital Federal, parte do imaginário social da cidade, temporalmente situado entre a década de setenta e o começo dos anos dois mil. Behr chegou adolescente na Brasília dos anos de 1970 e o espanto foi o primeiro sentimento experimentado diante da inusitada cidade modernista. O estranhamento do poeta, partilhado com outros, como o de Clarice Lispector, nos fala de uma cidade sem saturação histórica, frequentemente associada ao deserto e à solidão no seu quase grau zero. As representações da primeira fase da obra de Behr são como uma imagem invertida das intenções de Lucio Costa. Posteriormente, sua poesia parece entregar-se à cidade-utopia do urbanista. Coteja- -se a cidade da memória do poeta, cujos escritos circularam pelos bares e espaços culturais de Brasília, aquela do urbanista, em folhas mimeografadas. Há, em seus poemas, metáforas e imagens sobre o cotidiano de uma cidade para a qual era necessário o conhecimento de um vocabulário específico a demandar esforço para sua decifração. Os sentimentos nos registros poéticos de Behr possibilitam mais uma camada na espessura da história de Brasília.

bottom of page